Psicologia20 de Julho de 2026

Como o EMDR ajuda o Cérebro a Superar o Trauma

EMDR: pessoa segura um disco com linhas emaranhadas à frente do rosto, simbolizando memórias por processar

O que é o EMDR e para que serve?

Já alguma vez sentiu que uma experiência difícil do passado continua a afetá-lo no presente? O EMDR (Dessensibilização e Reprocessamento por meio dos Movimentos Oculares) é uma terapia que ajuda o seu cérebro a processar e a curar essas memórias dolorosas, para que elas deixem de ter tanto poder sobre si.

Criada pela investigadora e psicóloga Francine Shapiro, esta abordagem é hoje reconhecida mundialmente, inclusive pela Organização Mundial da Saúde (OMS), como uma forma eficaz de tratar traumas e outras perturbações emocionais.

Imagine que o seu cérebro tem um sistema natural para digerir as experiências do dia a dia. A maioria das vezes, ele faz isso sem problema. Mas quando algo muito assustador ou perturbador acontece, é como se esse sistema ficasse "bloqueado". A memória fica presa, com todas as emoções, pensamentos e sensações físicas negativas que a acompanham. O EMDR atua como um "desbloqueador", ajudando o cérebro a retomar o seu processo natural de cura.

Não se trata de esquecer o que aconteceu, mas sim de mudar a forma como se sente em relação a isso. A memória continua lá, mas a carga emocional negativa diminui drasticamente. É como se a lembrança passasse de uma ferida aberta para uma cicatriz, que já não dói.

Quem pode beneficiar do EMDR?

O EMDR é conhecido pelo tratamento da Perturbação de Stresse Pós-Traumático (PSPT), que pode surgir após acidentes, abusos, perdas traumáticas ou outras experiências chocantes. No entanto, os seus benefícios estendem-se a muitas outras áreas:

  • Ansiedade e Fobias: Ajuda a superar medos intensos e irracionais.
  • Depressão: Pode aliviar a depressão ligada a experiências passadas dolorosas.
  • Luto Complicado: Ajuda a processar a dor da perda de forma mais saudável.
  • Baixa Autoestima: Fortalece a sua imagem e confiança.
  • Dores Crónicas: Pode reduzir dores físicas que têm uma componente emocional.

As sensações de desconforto que se seguem, parecem não ter uma causa lógica imediata, mas que estão profundamente ligados a memórias não processadas.

Sensação O que a pessoa sente na prática
Desconforto físico sem causaAperto no peito, nó na garganta ou peso nos ombros sem motivo aparente.
Reações explosivas ou IntensasRaiva, medo ou tristeza profunda por situações pequenas do dia a dia.
Sensação de desconexãoSentir-se "fora do corpo" ou a ver a vida através de um vidro (distante).
Alerta constanteMedo de que algo mau aconteça a qualquer momento, mesmo em segurança.
Memórias SensoriaisCheiros, sons ou toques que transportam a pessoa de volta a um trauma.
Sentimento de InsuficiênciaSentir-se uma fraude ou incapaz, mesmo tendo sucesso e provas do contrário.

As estatísticas mais recentes mostram taxas de sucesso em Trauma Único: Entre 84% a 90% das pessoas deixam de ter sintomas de stress pós-traumático após apenas 3 sessões de 90 minutos; veteranos e traumas múltiplos: Cerca de 77% apresentam remissão total após 6 a 12 sessões (2024-2026).

Um Novo Começo

O EMDR oferece uma esperança real para quem vive preso a memórias dolorosas. Ao permitir que o cérebro cure as suas próprias feridas, esta terapia não só alivia o sofrimento, mas também abre caminho para uma vida mais plena, com mais paz e liberdade. Se sente que o passado o impede de viver o presente, o EMDR pode ser o caminho para um novo começo.

Referências

  • Carlson, J. G., Chemtob, C. M., Rusnak, K., Hedlund, N. L., & Muraoka, M. Y. (1998). Eye movement desensitization and reprocessing (EMDR) treatment for combat-related posttraumatic stress disorder. Journal of Traumatic Stress, 11(1), 3–24. https://doi.org/10.1023/A:1024448814268
  • Hase, M., Balmaceda, U. M., Ostacoli, L., Liebermann, P., & Hofmann, A. (2017). The AIP model of EMDR therapy and pathogenic memories. Frontiers in Psychology, 8, 1578. https://doi.org/10.3389/fpsyg.2017.01578
  • Landin-Romero, R., Moreno-Alcazar, A., Pagani, M., & Amann, B. L. (2018). How does eye movement desensitization and reprocessing therapy work? A systematic review on suggested mechanisms of action. Frontiers in Psychology, 9, 1395. https://doi.org/10.3389/fpsyg.2018.01395
  • Marcus, S. V., Marquis, P., & Sakai, C. (1997). Controlled study of treatment of PTSD using EMDR in an HMO setting. Psychotherapy: Theory, Research, Practice, Training, 34(3), 307–315. https://doi.org/10.1037/h0087720
  • Menon, S. B., & Jayan, C. (2010). Eye movement desensitization and reprocessing: A conceptual framework. Indian Journal of Psychological Medicine, 32(2), 136–140. https://doi.org/10.4103/0253-7176.78512
  • Shapiro, F. (2018). Eye movement desensitization and reprocessing (EMDR) therapy: Basic principles, protocols, and procedures (3rd ed.). Guilford Press.
  • South Denver Therapy. (2026, January 27). EMDR Statistics 2026: Success Rates, Research & Effectiveness Data. https://www.southdenvertherapy.com/blog/emdr-statistics-2026
  • World Health Organization. (2013). Guidelines for the management of conditions specifically related to stress. WHO Press.
Sente que o passado o impede de viver o presente?

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