O Silêncio que Fala!

"Ser pai ou mãe é uma tarefa cheia de desafios. Uma pergunta que ouço muito em consulta é: 'Será que estamos a fazer o certo?' A minha resposta é sempre a mesma: não há decisões certas ou erradas, há decisões que fazem sentido."
Tentamos proteger os nossos filhos e damos-lhes o melhor que temos. Muitas vezes achamos que, ao evitar certos assuntos, os estamos a poupar ao sofrimento. Mas o silêncio nem sempre protege. Por vezes afasta. E cria um vazio que a criança vai preencher com incertezas, medos e inseguranças.
O silêncio como forma de comunicação
O silêncio parece inofensivo. Em casa, não é só ausência de palavras. As crianças captam cada mudança no ambiente, mesmo sem palavras pelo meio. Quando os pais evitam falar de algo importante ou se calam perante uma situação intensa, o que comunicam é que o assunto é tabu, que certos sentimentos se escondem ou que há coisas que não se partilham.
A criança pode interpretar essa ausência de explicações como rejeição. Ou sentir-se impotente por não compreender o que se passa à sua volta. O silêncio acaba por criar um vazio, e esse vazio enche-se de dúvidas, inseguranças e medo.
A força da comunicação
Falar sobre sentimentos não é fácil. Muitas vezes evitamos o desconforto das conversas difíceis e esperamos que o tempo cure tudo. As crianças não se curam daquilo que não conseguem perceber. Quando falamos com elas sobre o que está a acontecer, num momento de dor ou de incerteza, mostramos que podemos atravessar isso juntos.
Falar não é ter todas as respostas. É estar presente para ouvir e explicar de forma acessível. Falar de forma sincera e aberta cria confiança. Ensina à criança que as emoções podem ser compreendidas, partilhadas e tratadas com respeito.
Um convite à reflexão
O silêncio é uma espada de dois gumes. Às vezes precisamos dele para refletir. Mas não pode ser o único meio de comunicação. As crianças precisam de saber que podem contar connosco.
Na próxima vez que sentir o impulso de evitar uma conversa difícil, pare e pergunte: "O que estará o meu filho a aprender com o meu silêncio? Estou a dar-lhe ferramentas para crescer emocionalmente saudável?"
Não subestime o poder das suas palavras. E muito menos o poder do seu silêncio. O que escolher pode fazer toda a diferença.
